Os desafios para o Líder contemporâneo-futuro

contato • 29 de outubro de 2019

Muito tem se falado ao longo dos anos sobre Liderança.

E, com certeza, muito ainda será debatido, teorizado, escrito e analisado sobre o assunto. É um tema vasto, complexo, que incita opiniões, teses e teorias de todos os tipos.

No entanto, para além de conceitos, críticas, “papers”, teses e avaliações sobre Liderança, há em geral convergência quando falamos da necessidade de adaptação do Líder frente a nova realidade de mercado. Isto passa pelas mudanças drásticas culturais que estão acontecendo, pela integração dos povos e pessoas em função da hiper comunicação/internet e consequente reflexos disto na cultura local, do mundo globalizado em que vivemos, da influência transcendente da tecnologia – que permeia e medeia tudo em nosso dia a dia – até a evolução do Mindset das pessoas e das fantásticas mudanças a que estamos sendo submetidos, quer queiramos ou não.

E com isto tudo, parece evidente que o Líder do presente-futuro , para ser vencedor, precisa de uma forma de atuação plural, inclusiva, diversa, engajadora, agregadora, que permita efetividade e produtividade em uma realidade na qual a mudança passa a ser constante e os standards, questionados e reposicionados, de forma incrivelmente rápida e disruptiva.

Para lidar com este situacional transformacional, o Líder se torna um agente de realização de pessoas e contextos, distribui e estrutura poderes e atividades, ora está liderando – ora está sendo liderado, enfatiza os objetivos a serem atingidos mas se permite tantos ajustes quanto necessário, aceita o erro e aprende com este – não recrimina, engaja e é engajado, é acolhedor, relativiza algumas verdades até então absolutas e se permite repensar sua forma de agir até então vencedora, para poder gerar resultados na realidade transversal e evolutiva em que vivemos e viveremos.

É um Líder mais humano, partícipe, que não ostenta, que não precisa de cargos escritos. É por ser, por evidência e não por imposição e força.
Seu poder vem de sua reversibilidade. Atua como pensa e pensa como atua. Faz o que ensina e ensina o que faz. É o que é no business ou em qualquer lugar da sociedade. É antes de tudo, efetivo para si e com isto, gera a possibilidade para muitos. Atua exemplificando e praticando o que teoriza.

Nunca para de construir pontes.

Pessoas, organizações e comunidades são parte de seu campo de atuação. Não cria em geral inimigos e sempre que possível, se permite múltiplas possibilidades, inclusive com concorrentes. Usa todos os meios de forma legal para que os objetivos sejam atingidos.

Governança e conformidade são basilares em tudo que faz e gerencia. Não há espaço para jeitinhos e transgressões em seu modus operandi e o do time.

Ética é pressuposto de atuação de toda a cadeia em que está envolvido. Do time aos fornecedores, das relações institucionais as governamentais, dos pequenos aos poderosos, tudo é parametrizado e respeitado. Procura lidar com todos de forma equânime e funcional, respeitando os valores e os contextos, mas, sem viver estes senão forem funcionais ao escopo. Neste sentido, propõe o novo ainda não pensado e espera para ver a reação da sociedade. Se precisar, adapta e ajusta o pensado inicialmente.

Por ter mindset dinâmico, vive o ensinar e o aprender. Ensina e é ensinado. Pratica e estimula lifetime learning. Se permite unlearning.  

Propósito aparece em sua jornada como norteador e fator de agregação entre as equipes e relações internas e externas. É um mantra, uma forma de viver e ser para si e para todos que estão circundantes. Em função disto, proposta de valor passa a ser essência para o resultado do escopo de atuação.

Vive o cliente, a equipe, o projeto.

Analisa e percebe constantemente seus públicos e ambiência em que está inserido. Lida com novas realidades. Testa exaustivamente. Propõe hipóteses. Aprende com elas e com a visão do time.

Dá super relevância para user experience. Não permite que nada passe desapercebido neste sentido. É incansável em melhorar a experiência interna, externa e das comunidades. Adora o cliente, mas, ama ainda mais o projeto e o propósito. Ama o que faz, faz por que ama.

Busca disciplina de execução sempre. E aqui, está um dos maiores fatores de diferenciação hoje em dia. Entregar o planejado, construído e/ou sonhado no mundo em que vivemos é um enorme delta competitivo.

Neste sentido, se permite avançar e é incansável em realizar e reorganizar tantas vezes quanto necessário para chegar nos contextos estabelecidos ou que se estabelecem no on going.

Do meio ambiente a política, do associativismo a representatividade empresarial, o novo Líder se posiciona, não tem medo de externalizar sua visão, mas, ao mesmo tempo, respeita, lida e usa também o contraditório para os interesses do projeto.

Não pensa em eles e nós. Em sua mente, somos juntos.

Desta forma, o Líder se posiciona como ágil, propositivo, funcional a si e a todos. Procura realizar seus sonhos e dos que estão juntos. E desta sinergia e holística, gera bem-estar funcional e organizacional aonde está inserido e/ou gerando impactos.

Utiliza uma dinâmica leve, direta, sem constrangimentos. Tudo pode ser dito e falado. Não há repressão ou redução. Usa o humor, as boas energias. Alegria de movimentos. Nada fica parado. Todos juntos pela causa e propósitos construídos de forma motivacional e inclusiva. O joio e o trigo como parte da equação.

Ou seja, é flexível, sempre!

Mira a velocidade de ação e execução. Faz conexões e se deixa conectar. Foca em ações ágeis, firmes, que permitam encurtar distâncias e movimentos. Busca gerar ganhos rápidos. Valoriza muito estes quick wins do time,mas olha também para o futuro e navega ao encontro deste, construindo-o segundo seus objetivos.

Incorpora tudo que puder agregar valor e se desfaz do que se torna obsoleto ou desnecessário, rapidamente. É implacável nisto.

É entusiasta de tecnologias e de avanços que permitam novas e até então impensadas, realidades. Sonha grande. E dissemina isto tão positivamente que passa a ser algo do coletivo e não mais necessariamente do indivíduo.

Não deu certo? Não funciona? Relativiza e se desapega muito rápido.

De fato, sempre se adapta. Não é refém do que é e nem teme o que vai ser. Nesta linha, é um equilibrista entre a realidade vigente e o presente-futuro sendo construído.

Do trabalho individual ao colaborado, passando eventualmente pelo cooperado e buscando lidar de forma inteligente com as novas realidades do trabalho coordenado, plataformas e sistema operacional, o novo Líder cria, molda e desenvolve sobre este mundo transcendente e evolutivo.

Inspira e é inspirado. Promove e estimula criatividade e inovação. Busca sempre produtividade. Adora o que faz e envolve sinergicamente as comunidades para que todos também amem e vivam os projetos e atividades desenvolvidas.

Parece surreal, mas, definitivamente o Líder contemporâneo-futuro tem novas características. Para vencer, este Líder é um obstinado e ávido por aprender, dialogar, interagir, pensar, fazer e concretizar.

Para muitos, parece ser impossível ser este Líder. Tipo ficção científica. Poderíamos, quem sabe, chamá-lo de super-herói.

De fato, Yuval Harari em seu importante livro Homo Deus, define o líder vencedor do futuro como aquele que é capaz de pilotar de forma sistêmica e ampla as transformações que estamos e estaremos sendo submetidos e impactados.

Esta visão é fabulosamente desafiadora, mas, como tudo na história do mundo que conhecemos, o que parece impossível e até mesmo improvável hoje, torna-se real mais cedo ou mais tarde.

Quanto mais rapidamente pudermos incorporar estas características, melhor adaptados estaremos para o mundo em transformação que nos desafia todos os dias!


Cesar Leite – CEO da GoToBiz e Processor, vice-presidente da Federasul ​


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